Transtorno Bipolar: Tipos, Sintomas e Manejo Eficaz

Saiba quais são os diferentes tipos de transtorno bipolar, os sintomas característicos, os tratamentos disponíveis e a importância de acompanhamento profissional especializado.

Melissa Romero

Médica Psiquiatra

CRM - MG 42488 / RQE 32843

O que é transtorno bipolar

O transtorno bipolar, também chamado de transtorno afetivo bipolar, engloba diferentes tipos, dos mais leves aos mais graves, com episódios de mania/hypomania alternando com episódios de depressão. Os principais são:

  • Bipolar I – episódios maníacos intensos que duram pelo menos uma semana, ou que exigem hospitalização, geralmente alternados com episódios depressivos.
  • Bipolar II – episódios depressivos severos, com hipomania (uma forma mais branda de mania) ao invés da mania plena.
  • Ciclotimia – variações de humor menos intensas, mas crônicas, com períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos leves.

Sintomas

Os sintomas variam conforme o tipo e o episódio (mania/hipomania ou depressão):

  • Durante episódio maníaco ou hipomaníaco:
      • Humor elevado ou irritável, com energia aumentada.
     • Pensamentos acelerados, fala rápida, ideias grandiosas.
     • Menor necessidade de sono, sensação de estar “no topo”.
     • Impulsividade, comportamentos de risco (gastos excessivos, tomada de decisões arriscadas).
  • Durante episódio depressivo:
     • Tristeza profunda, perda de interesse ou prazer.
     • Fadiga, lentidão psicomotora, sensação de inutilidade ou culpa excessiva.
     • Dificuldade de concentração, decisões difíceis.
     • Alterações do sono (insônia ou sono excessivo), do apetite, pensamentos suicidas em casos graves.

Causas e fatores de risco

As causas exatas não são totalmente compreendidas, mas vários fatores influenciam:

  • Aspectos genéticos: histórico familiar de transtornos afetivos eleva o risco.
  • Desequilíbrios neuroquímicos: alterações em neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina.
  • Estressores ambientais: traumas, uso de substâncias, mudanças de vida intensas.
  • Fatores biológicos: alterações hormonais, problemas de sono, condições médicas coexistentes.

Diagnóstico

Diagnosticar transtorno bipolar implica:

  • Avaliação clínica detalhada com psiquiatra, considerando histórico de humor, duração e intensidade dos episódios.
  • Entrevistas estruturadas, escalas diagnósticas para identificar episódios maníacos/hipomaníacos e depressivos.
  • Diferenciação de outras condições: depressão unipolar, transtornos de personalidade, uso de substâncias.
  • Monitoramento ao longo do tempo, pois episódios nem sempre são claros ou identificados pela própria pessoa rapidamente.

Tratamento e manejo eficaz

Para o transtorno bipolar, o tratamento costuma ser multidimensional:

  1. Medicação:
      • Estabilizadores de humor (como lítio) são clássicos.
      • Anticonvulsivantes usados como estabilizadores.
      • Em alguns casos, antipsicóticos, especialmente em episódios maníacos ou com sintomas psicóticos.
      • Antidepressivos podem ser usados, mas com cautela, para evitar induzir mania, geralmente em combinação com estabilizador.
  2. Psicoterapia:
      • Terapia Cognitivo‑Comportamental (TCC) adaptada para bipolaridade.
      • Terapia interpessoal e de ritmo social: ajuda a estabilizar rotina de sono, vigília etc.
      • Educação para o paciente e familiares: identificar sinais de alerta de recaída, aderir ao tratamento, ajustes de estilo de vida.
  3. Estilo de vida e cuidados complementares:
      • Sono regular e de qualidade.
      • Alimentação balanceada.
      • Exercício físico moderado.
      • Evitar uso de álcool, drogas ou substâncias psicoativas sem orientação.
      • Controle de estresse, técnicas de relaxamento.

Quando buscar ajuda profissional

Procure um psiquiatra se:

  • Perceber mudanças frequentes de humor, com episódios de mania/hipomania ou depressão que afetam seu dia a dia.
  • Se houver histórico familiar de transtorno bipolar.
  • Se episódios depressivos ou maníacos forem graves ou intensos.
  • Se houver risco de danos a si ou a outros ou de decisões impulsivas graves.

Conclusão

O transtorno bipolar não significa falta de controle, mas um distúrbio que, com diagnóstico adequado, tratamento correto e suporte, pode ser bem manejado. O objetivo é reduzir frequência e intensidade dos episódios, manter uma vida mais estável.


Para avaliação especializada, entre em contato com a Dra. Melissa Romero via nossa página de Localização e Confira também endereço e telefone da clínica no Google Maps.