Mitos e verdades sobre medicação psiquiátrica: o que você precisa saber
A medicação psiquiátrica ainda é cercada por medos, preconceitos e informações incorretas. Muitas pessoas deixam de procurar tratamento ou interrompem o uso dos medicamentos por acreditarem em mitos como “remédios viciam”, “mudam a personalidade” ou “são para a vida toda”. Essas crenças podem atrasar o cuidado adequado e aumentar o sofrimento psíquico. A Dra. Melissa Romero esclarece os principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos na psiquiatria, reforçando a importância da informação correta e do acompanhamento médico.
Mito: Medicação psiquiátrica causa dependência
Esse é um dos mitos mais comuns. A maioria dos medicamentos psiquiátricos não causa dependência. Antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos não provocam vício químico.
Existem algumas classes específicas, como certos ansiolíticos e hipnóticos, que podem causar dependência quando usados sem controle ou por longos períodos. Por isso, seu uso é sempre criterioso, com dose adequada, tempo limitado e acompanhamento regular do psiquiatra.
Verdade: A medicação atua no equilíbrio químico do cérebro
Os medicamentos psiquiátricos atuam regulando neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Alterações nesses sistemas estão associadas a sintomas como ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade, alterações do sono e da concentração.
O objetivo do tratamento medicamentoso não é “anestesiar” emoções, mas restaurar o equilíbrio necessário para que o paciente consiga funcionar melhor no dia a dia e se beneficiar de outras abordagens, como a psicoterapia.
Mito: Quem usa medicação psiquiátrica fica “dopado”
Quando bem indicada e ajustada corretamente, a medicação psiquiátrica não deve deixar o paciente sedado ou sem emoções. Sonolência excessiva, lentificação ou sensação de “desligamento” geralmente indicam necessidade de ajuste da dose ou troca do medicamento.
O acompanhamento com o psiquiatra é essencial justamente para observar efeitos colaterais e garantir que o tratamento traga benefícios sem comprometer a qualidade de vida.
Verdade: Nem todo paciente precisa usar medicação
O uso de medicamentos não é obrigatório em todos os casos. Em quadros leves ou situacionais, a psicoterapia isolada, mudanças no estilo de vida e estratégias de manejo emocional podem ser suficientes.
A decisão de iniciar uma medicação depende de uma avaliação individualizada, considerando a intensidade dos sintomas, o impacto na vida do paciente, histórico clínico e resposta a tratamentos anteriores.
Mito: Medicação psiquiátrica muda a personalidade
Os medicamentos não alteram quem a pessoa é. Pelo contrário, ao reduzir sintomas como ansiedade intensa, depressão profunda ou impulsividade, o paciente frequentemente relata sentir-se “mais próximo de si mesmo”.
Quando há sensação de perda de identidade ou apatia emocional, isso deve ser discutido com o psiquiatra para reavaliação do plano terapêutico.
Verdade: O tratamento deve ser acompanhado regularmente
O acompanhamento psiquiátrico é fundamental para avaliar a resposta ao medicamento, ajustar doses, monitorar efeitos colaterais e decidir o momento adequado de manter, reduzir ou suspender a medicação.
A interrupção por conta própria pode causar recaídas ou sintomas de descontinuação. Por isso, qualquer mudança deve ser feita sempre com orientação médica.
Mito: Medicação psiquiátrica é para sempre
Muitos tratamentos têm duração definida. Em diversos casos, a medicação é utilizada por meses ou alguns anos, sendo retirada de forma gradual quando há estabilidade clínica.
Em situações específicas, como transtornos crônicos ou recorrentes, o uso prolongado pode ser necessário, sempre visando qualidade de vida e prevenção de recaídas.
O papel do psiquiatra no uso seguro da medicação
O psiquiatra é o profissional capacitado para indicar, ajustar e acompanhar o uso de medicamentos psiquiátricos de forma segura e baseada em evidências científicas. Cada paciente é único, e o tratamento deve respeitar suas necessidades, limites e expectativas.
Se você tem dúvidas, receios ou experiências negativas anteriores, conversar abertamente com o psiquiatra é essencial para construir um plano de cuidado eficaz e humanizado.
Se você ou alguém próximo precisa de orientação especializada, agende uma consulta com a Dra. Melissa Romero. Venha também conhecer nossa clínica e cuide da sua saúde mental com informação e segurança.